Sugestão para os engenheiros metalurgistas entrarem no novo mercado de trabalho.

Nestes últimos 25 anos eu tenho estudado a parte técnica dos processos siderúrgicos e as tendências de mercado para o engenheiro metalurgista. Vejo ciclos de 5 a 10 anos que mudam o cenário de atuação do engenheiro metalúrgico. Para quem conhece a Bíblia, lembro Gênesis 41 e a história dos sonhos do faraó sobre as sete vacas e sete espigas. Mas desta vez, tenho a impressão de uma mudança mais radical. O mercado está desta vez, caminhando para uma demanda por profissionais mais eficientes e eficazes, isso todos já sabem. Só que o interessante é que o mercado quer pessoas que tenham experiência sem ter experiência!

Não tem sentido querer experiência de quem é recém formado?

Isso não tem sentido! É o que mais vejo pessoas reclamando. Como um recém formado pode ter experiência? Pensando muito nessa incoerência, só consigo entender da seguinte forma: a empresa quer pessoas flexíveis, fáceis de adquirir a cultura da empresa, que acompanhem o ritmo do seu gestor e de resultados bem rápidos. Que já tenham estudado e aprendido com as experiências dos outro. Mas como conseguiremos isso?

Sabe aquela velha máxima? Aprenda com as experiências dos outros!

Seria como se saíssemos da faculdade conhecendo o modus operandi de cada empresa, de cada gestor e suas áreas. Por isso eu escrevi o livro de casos em processos siderúrgicos e desenvolvi cursos onde apresento a parte das relações humanas das fábricas dentro dos problemas que acontecem e são comuns às siderúrgicas. É importante estudar o perfil dos gestores que você vai trabalhar. Igual ao acionista que além do DRE e Balanço, também estuda o CEO para decidir investir seu capital em determinada empresa.

Uma linha estratégica muito interessante para os engenheiros metalurgistas, principalmente para a nova geração, é também serem desenvolvedores de tecnologias. Vejo já, em muitos perfis no Linkedin, graduandos e recém formados fazendo algum curso de Data Science, Big Data, Power BI, etc. É muito interessante desenvolver estas habilidades SIM. Mas tem que já desenvolver algum produto! Ser “dono” de alguma aplicação ou algoritmo. Crie um MPV (Mínimo Produto Viável), para o setor e use isso para se diferenciar. Aborde gestores e recrutadores com estas soluções que normalmente são do interesse deles.

Seja uma venda casada!

Em meus cursos de siderurgia, eu busco sinalizar onde tecnologias de TI poderiam ajudar e serem criados os MPVs. A visão computacional, o SQL, o tratamento de sinais, o IoT, realidade virtual, o machine learning são ferramentas úteis para ter no currículo, mas você tem que desenvolver alguma solução para ser seu “produto a oferecer”, tipo uma venda casada que vc está propondo. Se lhe contratarem, levam, por exemplo, um sistema de identificação, inspeção de tarugos ou um sistema de contagem de peças. Identificação de falhas e suas causas. Um controle de processos ou de aprendizagem artificial no celular. Você tendo o domínio do algoritmo os contratantes sabem que você, fácil e rapidamente o adaptará as necessidades do teu novo trabalho e trará os resultados. Eles querem contratar alguém que venha com uma solução pronta para instalar na máquina ou seja, na fábrica e solucionar um problema atual.

Observo que gestores de área não tem um prazo muito grande, eles ficam de 2 a 4 anos no cargo e tem que nesse curto período entregar um resultado acordado de ganho de performance. Então você tem que ter projetos e ações prontos para implementar e dar resultados.

Tenha seu plano de ações e seus produtos na gaveta para VENDER a cada oportunidade.

Olhe o exemplo do ministro Paulo Guedes, seu plano econômico estava na gaveta desde a primeira eleição presidencial pelo voto direto, ele fez o plano para o então candidato Guilherme Afif Domingos em 1989. Eu me lembro até do slogan “JUNTOS CHEGAREMOS LÁ”! Estou velho viu? Mas é um plano, pronto e maduros para implementar, cujo o atual presidente eleito decidiu adotar.

Arrisco até em dizer que neste ciclo atual, teremos um mercado onde todos nós seremos contratados para uma MISSÃO, e atuaremos em projetos com início, meio e fim. Seremos pessoas/solução de algum problema do momento. Pode ser que isso mude como outra bolha que estoure no mercado.

Engenheiros metalúrgicos que conseguem uma duração maior são aqueles que fazem gestão de pessoas, estes podem durar de 2 a 5 anos "tocando" a produção de uma área. Para isso tem que conhecer fortemente sobre gente, existem muitos cursos de gestão de pessoas por aí e relações humanas no ambiente de trabalho. Mas o ideal é estudar essas relações no setor siderúrgico, conhecendo bem as tarefas operacionais, saber onde as pessoas falham em manter um processo e ter suas estratégias para cada situação. As ferramentas de TI poderiam também ser outro produto casado desse profissional. Ele ter uma espécie de inteligência artificial em que identifique os perfis operacionais, atualizem as informações pessoais que podem ser obtidas em pesquisas diárias com os operadores e até em suas redes sociais. Identificando o ambiente social, o cenário da vida pessoal de cada um dando orientações a você em qual estímulo você deve atuar com cada um membro da sua equipe.

Tudo isso que estou falando eu tenho tentado oferecer a meus mentorados, nos cursos de siderurgia e no livro A Fantástica Fábrica de Aço. Espero que você decida por contar com minha ajuda, em concordando em adotar esta estratégia.

 Um grande abraço e muito boa sorte em tua jornada!

Este site te direciona para obter o livro e cursos. https://sandrogoncalvessil.wixsite.com/affa


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